domingo, 3 de abril de 2011

PERSONALIDADES MÚLTIPLAS - O soldado romano que virou bruxa


Após a última sessão, aquela em que a minha caveira transforma-se em soldado romano, tenho uma noite com um sono muito pesado e, durante a semana, percebo que minha intuição está aumentada sobremaneira. Com uma frequência bem maior que o normal, começo a prever exatamente o que vão me dizer ou quem está do outro lado quando o telefone toca e até que caminho tomar para escapar do trânsito, etc. Outra mudança que se deu durante a semana foi um interesse repentino por questões exotéricas, procurando algo interessante sobre o assunto, sem saber o que exatamente. Lembro do quanto estes assuntos me chamavam a atenção durante a adolescência, o que fui deixando de lado com a idade. Começo também a ter uma forte vertigem, sentindo-me “desencaixada” de mim. Faço uma grande força mental para me livrar da vertigem, que teima em voltar. De repente, começa a se formar como que uma história em minha mente. Eu a tiro de lá, tratando-a como uma fantasia boba, mas ela teima em voltar, até que eu percebo que a fantasia boba me causa calafrios e um medo enorme. Resolvo dar corda à minha imaginação (ou memória) e ver até onde ela me leva.

A volta da bruxa
Nesta história pela qual me deixo levar, eu sou uma bruxa, maga ou algo assim, alguém sem muitos escrúpulos. Era essa a minha forte sensação interna. Acho que faço mal a muita gente para ter esse medo todo que eu sinto dentro de mim. Medo de ser descoberta, agora sem a caveira para me proteger e me disfarçar de soldado romano, meus inimigos vão me achar certamente. Talvez ela seja mesmo minha amiga. Mas, e se é um inimigo? Neste caso, ela talvez me esconda para que eu não me lembre de quem sou ou fui e não volte a novamente fazer o mal. Está tudo claro agora: a bruxa não deve ser despertada dentro de mim! Penso nisso e começo a ter vertigens, como se fosse desmaiar. Começo a ter medo e penso: “Vão me achar, perseguir e matar. De novo! Desta vez eu não posso deixar, tenho uma família e uma filha para cuidar e quero uma vida pacata, com casa e coisas bem normais. Só isso.” Arrependo-me pelo interesse na regressão e começo a entender os que falam dos seus perigos.
Lembro da péssima impressão inicial que tive da Mila, a terapeuta de regressão que me acompanha. Ela me pareceu perigosa a primeira vista, mas resolvi “pagar para ver” e não achei nada substancial. Aliás, muito pelo contrário, além de ser boa terapeuta, me ensinou muito. Mas agora começo a dar asas às minhas fantasias e imagino que talvez ela seja mesmo perigosa. Em contrapartida, penso no Godinho (meu primeiro terapeuta de regressão) como alguém confiável, como se ele soubesse de antemão por tudo o que estou passando e pudesse me ajudar, mais do que qualquer outra pessoa neste mundo. Começa a crescer forte em mim a sensação de somos originários do mesmo local, mas ele já aprendeu a sobreviver diante destas ameaças todas. Naquele momento a impressão nítida que tenho é de que ela é uma inimiga e ele um comparsa ou amante. Sinto mais dores de cabeça.
Nos dias que se seguem, passo longos minutos sentindo como que interpretando um papel, como que tomando um corpo estranho para disfarçar minha identidade e me proteger. Em minha mente essa história ganha cada vez mais detalhes e fica mais forte, mas começo a ter vertigens, suar frio e ter dores de estômago. É o medo! Medo de me acharem para darem cabo de mim novamente, hoje, no aqui e agora da presente vida. Talvez, o desejo de não abandonar minha filha seja o único motivo para esse medo da morte, já que não tenho e nem nunca tive medo de morrer (não conscientemente). Chego apensar em pedir garantias à Mila quanto à minha segurança se eu passar por uma nova regressão, o que acontecerá com certeza, mesmo eu querendo acreditar que talvez não consiga regredir. Não há mais como parar o que foi aberto! Sinto como se tivesse aberto a minha caixa particular de Pandora. Que frio na barriga! Voltei a ter tremores nas mãos, como acontecia na adolescência e juventude.
A sessão seguinte foi desmarcada pela Mila e, para minha surpresa, fui melhorando, me absorvendo na rotina da clínica e das aulas. Aliás, vale à pena notar que fui ficando até mais confiante e me sentia bem, forte e capaz, como se a força, mesmo que maldosa daquela bruxa estivesse ocupando um espaço dentro de mim, mas de forma harmônica, sem me tirar do comando e sim me ajudando a perceber a minha força interior.
Antes da próxima regressão, tenho uma aula com a Mila, durante a qual me sinto cansada, carregada e com uma forte dor na nuca. Durante a aula, um véu embaçado cai dos meus olhos e a imagem que eu tenho dela muda completamente. Agora, a inimiga Mila toma espaço dentro de mim e fico reticente aos seus ensinamentos, não acreditando de imediato em nada do que vem dela. Percebo seus exageros, mentiras e defesas. Mas com o passar das horas essa impressão vai se amenizando, caindo a grossa barreira que nos separa, enquanto ela se harmoniza em mim novamente.
Após a aula, mudo meu roteiro e passo numa livraria para olhar alguns baralhos de tarô. Vejo-me tentada a levar um, mas acabo por não comprá-lo. Paro diante dos livros de bruxaria, analiso vários deles, mas toda vez que me deparo com um ritual ou uma poção qualquer, tremo dos pés à cabeça de medo e o devolvo rapidamente à prateleira. É como se aqueles escritos tivessem o poder de despertar ainda mais a minha bruxa interna e eu então me tornaria uma pessoa má novamente e então seria perseguida. O medo de ser reconhecida volta juntamente com a sensação de eu estar desempenhando um papel num corpo não meu. Nesta noite meu sono é agitado e acordo extremamente cansada, achando que não conseguiria trabalhar, mas fui melhorando com o passar do dia.
Já no consultório, atendo o telefonema de uma paciente e aluna sensitiva, estudante do assunto e, novamente tenho vertigens fortes, chegando mesmo a acreditar que desmaiaria ali. Não entendo o que se passa comigo, mas aceito, até poder resolver.

A bruxa é queimada
Enfim chega o dia da sessão. Estou ansiosa, falo mais do que o normal e começo a chorar, mas logo sou colocada em regressão e me vejo num lugar escuro onde não enxergo nada. É uma floresta à noite. Eu fujo, me escondo. Uso um vestido rodado, longo, velho e escuro com sapatos baixos e largos e me sinto suja, sem higiene. Tenho uns 35 anos aproximadamente. Tenho medo e sinto choques nas pontas dos dedos das mãos, estou atordoada e sem saber o que fazer.
Paro o tempo e me volto ao passado para entender os antecedentes da fuga. Tudo fica claro. É uma aldeia pequena com não mais de 10 casebres. Todos usam os meus serviços. Sou a feiticeira local. Pedem-me coisas que eu faço sem questionar, independente para quem ou para o que. São poções e magias por encomenda para qualquer um: calmantes, soníferos, anestésicos, afrodisíacos, remédios, abortivos e até venenos. Não vejo problema nisso. Eu apenas ganho a vida com o que sei fazer, apesar de levar uma vida diferente e me sentir diferente, morando afastada, sozinha e sem vida social. Mas afinal, preciso ganhar a vida e sobreviver. Me pagam, eu faço. É honesto! O problema foi um dos últimos pedidos que me fazem, um veneno para acabar com o dirigente da aldeia. Deu certo. Mas todos sabem que fui eu que fiz o veneno e agora me perseguem. Que ódio eu sinto! E o homem que fez a encomenda e é beneficiado com esta morte, está entre os meus perseguidores. Sou o bode expiatório dele e pago sozinha pelo crime. Sei que não sou inocente, mas ninguém é! Tantos já morreram da mesma forma e ninguém nunca se importou. Usam-me enquanto sou conveniente, mas quando é conveniente culpar alguém, me usam novamente como culpada. Uma prostituta é mais dignamente tratada do que eu sou! E apesar de tudo, não me sinto má, apenas não valorizo a vida e não tenho escrúpulos e nem moral, comparando-me como me sinto hoje. Todos são assim naquela época.
Voltando à perseguição, há uns 15 ou 20 homens me seguindo floresta adentro. Eles carregam paus, enxadas e tochas nas mãos. Eu tenho medo e ódio deles, muito ódio! Quando não aguento mais fugir, me entrego ao inevitável. Eles me alcançam, me amarraram e logo me sinto aliviada, olhando a cena do lado de fora. Penso: “pronto, acabou”. Não sinto mais nada, nem dor, nem medo, nem ódio, certa de que pegaram apenas o corpo, a parte menos importante de mim. Ainda estou viva, mas não tenho mais sensações físicas, apenas me deixo levar sem reagir, observando tudo friamente do lado de fora. Puxam-me pelo chão com os pés amarrados a um cavalo e eu morro no caminho, quando bato a cabeça em uma árvore. Chego morta à aldeia. Sou amarrada a um tronco e queimada, enquanto assisto a tudo sem sentir nada além da certeza da vingança. Sei que voltarei e de nada adianta o que eles fazem com o corpo. Olho a todos com superioridade, sabendo intimamente que sou diferente, mais capaz e elevada.

Após a fogueira
Saio desta cena e procuro pelo velhinho vestido de soldado romano, certa de que ele já esta por ali de alguma forma. Sinto forte também a presença do Godinho, mas não os encontro em lugar algum. De qualquer forma, trago o velhinho à minha frente e peço mais explicações. Ele então esclarece o que eu já intuía: a roupa romana me impedia de ser reconhecida pelos inimigos, ao mesmo tempo em que apagava de minha memória alguns conhecimentos que atrapalhavam minha evolução.
Seguindo comandos, visualizo a todas as pessoas que eu prejudiquei de alguma forma. Havia umas 20, todas com roupas antigas. Entre elas um menino, um velho e, à frente deles, uma mulher que eu reconheci como sendo a Mila. Falo a todos sobre as vidas sucessivas, do aprendizado que cada uma acarreta e da lei do carma. Peço perdão e oriento que sigam cada qual seu caminho de forma mais edificante. O menino, seguido por alguns outros, vai embora, enquanto fica a mulher (ex-Mila) à frente de um grupo bem bravo. Peço novamente perdão e dôo amor aos que o aceitem. Eles então se acalmam e se vão.
Após a sessão, choro muito com medo de lembrar as receitas das poções, de voltar a ser bruxa e de ser perseguida. Aos poucos o medo passa e eu fico bem comigo.
Cheguei mesmo a comprar um tarô, mesmo sem usá-lo.

sábado, 2 de abril de 2011

MANDALA - Personalidades desencaixadas causam mal estar


Mês passado entrevisto uma garota procurando por terapia. Assim que ela entra no consultório, começo a sentir minha cabeça deslocada, como se estivesse toda fora do meu corpo (já senti isto antes... sei o que é). Ela fala de “coisas feias e erradas” que fez, mesmo sabendo que não deveria fazer e que era fácil ter evitado. Fala do conflito que sente dentro de si por ser assim. Fala também da facilidade que tem de perceber a tudo e a todos de forma muito clara, como se ninguém pudesse enganá-la ou esconder-se dela. Falo para ela dos pedaços de sua consciência que devem estar projetados por ai nas pessoas e nos lugares por onde passa, o que dá a ela essa impressão de zonzeira o tempo todo. Ela confirma sentir a zonzeira e me pergunta o que pode fazer para sentir-se melhor e declara estar com falta de ar.
Peço que feche os olhos, que respire fundo e imagine suas vias respiratórias sendo abertas e limpas por uma luz intensa. Em seguida, coloco o dedo e sua nuca e dou comando mental e verbal para que ela se encaixe toda dentro dela, não deixando nada da sua consciência a vagar por ai. Pronto. A zonzeira da minha cabeça sumiu. Pergunto se passou, ela confirma e parece sair bem.
À noite desenho esta mandala (acima), querendo entender mais das personalidades múltiplas. Sonho com uma menina me contando que o pai lhe mostrava o pênis, como se fosse uma florzinha e os pêlos pubianos um gramado. Ela me pergunta se antes dos ovos saírem, estão dentro das galinhas. Digo que sim e ela chora dizendo que sabia que estava cheia de ovinhos dentro dela. Vou perguntar à mãe da menina se ela sabe que a filha foi violentada pelo pai e ela confirma. Acordo assustada pensando na garota da entrevista.

MANDALA - O começo da volta



Esta mandala tem um texto que conta um pouco da história que eu resgatei sobre minha jornada. Seu texto:

Ele foi exilado. Não queria, mas foi, pois não se harmonizava mais com os seus. Ganhou um outro corpo, mais denso e de difícil adaptação. Sabia mais, então tinha de ajudar, curar e ensinar, mas se perdeu dentro de si. Reconhecendo que era maior e mais poderoso, ficou orgulhoso, não se lembrando mais de quem era, de onde viera e quem lhe permitiu ser o que era. Caiu e caiu muito. Esqueceu tudo e teve a sua mente alterada. Agora era um velho louco que vagava só. E seus amigos de templo não mais viu ou reconheceu entre os seus. Seu rumo o levou a ser só em todo o decorrer dos anos, séculos e vidas sucessivas, esperando um dia que este vazio seja de novo ocupado pelos seus amados. Quem sabe aqui, quem sabe lá. Isso já não importa, agora que ele sabe o caminho. É só uma questão de tempo, até ver a todos de novo para juntos ficarem e trabalharem pelo outro.

MANDALA - O olho, a boca e a mão.


Esta foi das primeiras mandalas que eu fiz depois da sugestão da Jurami. É das mais intuitivas, esta e a que segue. Esta primeira tem o texto saindo do centro e a segunda tem o texto indo para o centro. Seu texto:

O olho que tudo vê. A mão que tudo faz. A boca que tudo cala. Na água que a tudo germina. Assim em cima como em baixo. Assim dentro como fora. O céu e a terra, Cronos e Gaia, o espírito e a carne. O bem e o mal, o certo e o errado num único sentido de evolução ao princípio. A volta ao útero divino para beber do líquido da criação e de lá sair, se aventurar para um dia voltar e de novo sair qual criança a nada saber e só então evoluir pela ausência de qualquer força além do amor que dá vida para novamente começar o ciclo da evolução e da aprendizagem do indizível. Deus... Amor... Paz... Espírito... Terra... Evolução... Gota... Boca... Nariz... Olhos... Ouvidos... Mãos... Pés... Corpo... Carne... Vida...

PERSONALIDADE - A origem e o destino

Outro dia, conversando com a Jurami das minhas experiências, cheguei à conclusão de que minha origem neste planeta deve ser bem remota. Depois, tentei desenhar minha possível aparência na minha chegada aqui. Imaginei que sairia um “Neandertal” ou algo similar, mas saiu um esboço que eu tentei aperfeiçoar neste desenho acima. Depois comento mais a respeito desta experiência, mas talvez esta seja a aparência de algum povo exilado aqui na terra.

MANDALA - Novo caminho

Fiz uma série de esboços de mandalas com o tema “novo caminho”, para o começo do meu entendimento de personalidades múltiplas dentro do ser.  Esta foi a última delas, já colorida.

PERSONALIDADE - Egípcia

Em Bruxelas, ano passado, entrei em contato com a memória de uma ajudante de templo no Egito antigo. Eis um pouco de como eu me lembro do rosto dela. Mais tarde comento sobre esta experiência.