domingo, 3 de abril de 2011

PERSONALIDADES MÚLTIPLAS - O soldado romano que virou bruxa


Após a última sessão, aquela em que a minha caveira transforma-se em soldado romano, tenho uma noite com um sono muito pesado e, durante a semana, percebo que minha intuição está aumentada sobremaneira. Com uma frequência bem maior que o normal, começo a prever exatamente o que vão me dizer ou quem está do outro lado quando o telefone toca e até que caminho tomar para escapar do trânsito, etc. Outra mudança que se deu durante a semana foi um interesse repentino por questões exotéricas, procurando algo interessante sobre o assunto, sem saber o que exatamente. Lembro do quanto estes assuntos me chamavam a atenção durante a adolescência, o que fui deixando de lado com a idade. Começo também a ter uma forte vertigem, sentindo-me “desencaixada” de mim. Faço uma grande força mental para me livrar da vertigem, que teima em voltar. De repente, começa a se formar como que uma história em minha mente. Eu a tiro de lá, tratando-a como uma fantasia boba, mas ela teima em voltar, até que eu percebo que a fantasia boba me causa calafrios e um medo enorme. Resolvo dar corda à minha imaginação (ou memória) e ver até onde ela me leva.

A volta da bruxa
Nesta história pela qual me deixo levar, eu sou uma bruxa, maga ou algo assim, alguém sem muitos escrúpulos. Era essa a minha forte sensação interna. Acho que faço mal a muita gente para ter esse medo todo que eu sinto dentro de mim. Medo de ser descoberta, agora sem a caveira para me proteger e me disfarçar de soldado romano, meus inimigos vão me achar certamente. Talvez ela seja mesmo minha amiga. Mas, e se é um inimigo? Neste caso, ela talvez me esconda para que eu não me lembre de quem sou ou fui e não volte a novamente fazer o mal. Está tudo claro agora: a bruxa não deve ser despertada dentro de mim! Penso nisso e começo a ter vertigens, como se fosse desmaiar. Começo a ter medo e penso: “Vão me achar, perseguir e matar. De novo! Desta vez eu não posso deixar, tenho uma família e uma filha para cuidar e quero uma vida pacata, com casa e coisas bem normais. Só isso.” Arrependo-me pelo interesse na regressão e começo a entender os que falam dos seus perigos.
Lembro da péssima impressão inicial que tive da Mila, a terapeuta de regressão que me acompanha. Ela me pareceu perigosa a primeira vista, mas resolvi “pagar para ver” e não achei nada substancial. Aliás, muito pelo contrário, além de ser boa terapeuta, me ensinou muito. Mas agora começo a dar asas às minhas fantasias e imagino que talvez ela seja mesmo perigosa. Em contrapartida, penso no Godinho (meu primeiro terapeuta de regressão) como alguém confiável, como se ele soubesse de antemão por tudo o que estou passando e pudesse me ajudar, mais do que qualquer outra pessoa neste mundo. Começa a crescer forte em mim a sensação de somos originários do mesmo local, mas ele já aprendeu a sobreviver diante destas ameaças todas. Naquele momento a impressão nítida que tenho é de que ela é uma inimiga e ele um comparsa ou amante. Sinto mais dores de cabeça.
Nos dias que se seguem, passo longos minutos sentindo como que interpretando um papel, como que tomando um corpo estranho para disfarçar minha identidade e me proteger. Em minha mente essa história ganha cada vez mais detalhes e fica mais forte, mas começo a ter vertigens, suar frio e ter dores de estômago. É o medo! Medo de me acharem para darem cabo de mim novamente, hoje, no aqui e agora da presente vida. Talvez, o desejo de não abandonar minha filha seja o único motivo para esse medo da morte, já que não tenho e nem nunca tive medo de morrer (não conscientemente). Chego apensar em pedir garantias à Mila quanto à minha segurança se eu passar por uma nova regressão, o que acontecerá com certeza, mesmo eu querendo acreditar que talvez não consiga regredir. Não há mais como parar o que foi aberto! Sinto como se tivesse aberto a minha caixa particular de Pandora. Que frio na barriga! Voltei a ter tremores nas mãos, como acontecia na adolescência e juventude.
A sessão seguinte foi desmarcada pela Mila e, para minha surpresa, fui melhorando, me absorvendo na rotina da clínica e das aulas. Aliás, vale à pena notar que fui ficando até mais confiante e me sentia bem, forte e capaz, como se a força, mesmo que maldosa daquela bruxa estivesse ocupando um espaço dentro de mim, mas de forma harmônica, sem me tirar do comando e sim me ajudando a perceber a minha força interior.
Antes da próxima regressão, tenho uma aula com a Mila, durante a qual me sinto cansada, carregada e com uma forte dor na nuca. Durante a aula, um véu embaçado cai dos meus olhos e a imagem que eu tenho dela muda completamente. Agora, a inimiga Mila toma espaço dentro de mim e fico reticente aos seus ensinamentos, não acreditando de imediato em nada do que vem dela. Percebo seus exageros, mentiras e defesas. Mas com o passar das horas essa impressão vai se amenizando, caindo a grossa barreira que nos separa, enquanto ela se harmoniza em mim novamente.
Após a aula, mudo meu roteiro e passo numa livraria para olhar alguns baralhos de tarô. Vejo-me tentada a levar um, mas acabo por não comprá-lo. Paro diante dos livros de bruxaria, analiso vários deles, mas toda vez que me deparo com um ritual ou uma poção qualquer, tremo dos pés à cabeça de medo e o devolvo rapidamente à prateleira. É como se aqueles escritos tivessem o poder de despertar ainda mais a minha bruxa interna e eu então me tornaria uma pessoa má novamente e então seria perseguida. O medo de ser reconhecida volta juntamente com a sensação de eu estar desempenhando um papel num corpo não meu. Nesta noite meu sono é agitado e acordo extremamente cansada, achando que não conseguiria trabalhar, mas fui melhorando com o passar do dia.
Já no consultório, atendo o telefonema de uma paciente e aluna sensitiva, estudante do assunto e, novamente tenho vertigens fortes, chegando mesmo a acreditar que desmaiaria ali. Não entendo o que se passa comigo, mas aceito, até poder resolver.

A bruxa é queimada
Enfim chega o dia da sessão. Estou ansiosa, falo mais do que o normal e começo a chorar, mas logo sou colocada em regressão e me vejo num lugar escuro onde não enxergo nada. É uma floresta à noite. Eu fujo, me escondo. Uso um vestido rodado, longo, velho e escuro com sapatos baixos e largos e me sinto suja, sem higiene. Tenho uns 35 anos aproximadamente. Tenho medo e sinto choques nas pontas dos dedos das mãos, estou atordoada e sem saber o que fazer.
Paro o tempo e me volto ao passado para entender os antecedentes da fuga. Tudo fica claro. É uma aldeia pequena com não mais de 10 casebres. Todos usam os meus serviços. Sou a feiticeira local. Pedem-me coisas que eu faço sem questionar, independente para quem ou para o que. São poções e magias por encomenda para qualquer um: calmantes, soníferos, anestésicos, afrodisíacos, remédios, abortivos e até venenos. Não vejo problema nisso. Eu apenas ganho a vida com o que sei fazer, apesar de levar uma vida diferente e me sentir diferente, morando afastada, sozinha e sem vida social. Mas afinal, preciso ganhar a vida e sobreviver. Me pagam, eu faço. É honesto! O problema foi um dos últimos pedidos que me fazem, um veneno para acabar com o dirigente da aldeia. Deu certo. Mas todos sabem que fui eu que fiz o veneno e agora me perseguem. Que ódio eu sinto! E o homem que fez a encomenda e é beneficiado com esta morte, está entre os meus perseguidores. Sou o bode expiatório dele e pago sozinha pelo crime. Sei que não sou inocente, mas ninguém é! Tantos já morreram da mesma forma e ninguém nunca se importou. Usam-me enquanto sou conveniente, mas quando é conveniente culpar alguém, me usam novamente como culpada. Uma prostituta é mais dignamente tratada do que eu sou! E apesar de tudo, não me sinto má, apenas não valorizo a vida e não tenho escrúpulos e nem moral, comparando-me como me sinto hoje. Todos são assim naquela época.
Voltando à perseguição, há uns 15 ou 20 homens me seguindo floresta adentro. Eles carregam paus, enxadas e tochas nas mãos. Eu tenho medo e ódio deles, muito ódio! Quando não aguento mais fugir, me entrego ao inevitável. Eles me alcançam, me amarraram e logo me sinto aliviada, olhando a cena do lado de fora. Penso: “pronto, acabou”. Não sinto mais nada, nem dor, nem medo, nem ódio, certa de que pegaram apenas o corpo, a parte menos importante de mim. Ainda estou viva, mas não tenho mais sensações físicas, apenas me deixo levar sem reagir, observando tudo friamente do lado de fora. Puxam-me pelo chão com os pés amarrados a um cavalo e eu morro no caminho, quando bato a cabeça em uma árvore. Chego morta à aldeia. Sou amarrada a um tronco e queimada, enquanto assisto a tudo sem sentir nada além da certeza da vingança. Sei que voltarei e de nada adianta o que eles fazem com o corpo. Olho a todos com superioridade, sabendo intimamente que sou diferente, mais capaz e elevada.

Após a fogueira
Saio desta cena e procuro pelo velhinho vestido de soldado romano, certa de que ele já esta por ali de alguma forma. Sinto forte também a presença do Godinho, mas não os encontro em lugar algum. De qualquer forma, trago o velhinho à minha frente e peço mais explicações. Ele então esclarece o que eu já intuía: a roupa romana me impedia de ser reconhecida pelos inimigos, ao mesmo tempo em que apagava de minha memória alguns conhecimentos que atrapalhavam minha evolução.
Seguindo comandos, visualizo a todas as pessoas que eu prejudiquei de alguma forma. Havia umas 20, todas com roupas antigas. Entre elas um menino, um velho e, à frente deles, uma mulher que eu reconheci como sendo a Mila. Falo a todos sobre as vidas sucessivas, do aprendizado que cada uma acarreta e da lei do carma. Peço perdão e oriento que sigam cada qual seu caminho de forma mais edificante. O menino, seguido por alguns outros, vai embora, enquanto fica a mulher (ex-Mila) à frente de um grupo bem bravo. Peço novamente perdão e dôo amor aos que o aceitem. Eles então se acalmam e se vão.
Após a sessão, choro muito com medo de lembrar as receitas das poções, de voltar a ser bruxa e de ser perseguida. Aos poucos o medo passa e eu fico bem comigo.
Cheguei mesmo a comprar um tarô, mesmo sem usá-lo.

sábado, 2 de abril de 2011

MANDALA - Personalidades desencaixadas causam mal estar


Mês passado entrevisto uma garota procurando por terapia. Assim que ela entra no consultório, começo a sentir minha cabeça deslocada, como se estivesse toda fora do meu corpo (já senti isto antes... sei o que é). Ela fala de “coisas feias e erradas” que fez, mesmo sabendo que não deveria fazer e que era fácil ter evitado. Fala do conflito que sente dentro de si por ser assim. Fala também da facilidade que tem de perceber a tudo e a todos de forma muito clara, como se ninguém pudesse enganá-la ou esconder-se dela. Falo para ela dos pedaços de sua consciência que devem estar projetados por ai nas pessoas e nos lugares por onde passa, o que dá a ela essa impressão de zonzeira o tempo todo. Ela confirma sentir a zonzeira e me pergunta o que pode fazer para sentir-se melhor e declara estar com falta de ar.
Peço que feche os olhos, que respire fundo e imagine suas vias respiratórias sendo abertas e limpas por uma luz intensa. Em seguida, coloco o dedo e sua nuca e dou comando mental e verbal para que ela se encaixe toda dentro dela, não deixando nada da sua consciência a vagar por ai. Pronto. A zonzeira da minha cabeça sumiu. Pergunto se passou, ela confirma e parece sair bem.
À noite desenho esta mandala (acima), querendo entender mais das personalidades múltiplas. Sonho com uma menina me contando que o pai lhe mostrava o pênis, como se fosse uma florzinha e os pêlos pubianos um gramado. Ela me pergunta se antes dos ovos saírem, estão dentro das galinhas. Digo que sim e ela chora dizendo que sabia que estava cheia de ovinhos dentro dela. Vou perguntar à mãe da menina se ela sabe que a filha foi violentada pelo pai e ela confirma. Acordo assustada pensando na garota da entrevista.

MANDALA - O começo da volta



Esta mandala tem um texto que conta um pouco da história que eu resgatei sobre minha jornada. Seu texto:

Ele foi exilado. Não queria, mas foi, pois não se harmonizava mais com os seus. Ganhou um outro corpo, mais denso e de difícil adaptação. Sabia mais, então tinha de ajudar, curar e ensinar, mas se perdeu dentro de si. Reconhecendo que era maior e mais poderoso, ficou orgulhoso, não se lembrando mais de quem era, de onde viera e quem lhe permitiu ser o que era. Caiu e caiu muito. Esqueceu tudo e teve a sua mente alterada. Agora era um velho louco que vagava só. E seus amigos de templo não mais viu ou reconheceu entre os seus. Seu rumo o levou a ser só em todo o decorrer dos anos, séculos e vidas sucessivas, esperando um dia que este vazio seja de novo ocupado pelos seus amados. Quem sabe aqui, quem sabe lá. Isso já não importa, agora que ele sabe o caminho. É só uma questão de tempo, até ver a todos de novo para juntos ficarem e trabalharem pelo outro.

MANDALA - O olho, a boca e a mão.


Esta foi das primeiras mandalas que eu fiz depois da sugestão da Jurami. É das mais intuitivas, esta e a que segue. Esta primeira tem o texto saindo do centro e a segunda tem o texto indo para o centro. Seu texto:

O olho que tudo vê. A mão que tudo faz. A boca que tudo cala. Na água que a tudo germina. Assim em cima como em baixo. Assim dentro como fora. O céu e a terra, Cronos e Gaia, o espírito e a carne. O bem e o mal, o certo e o errado num único sentido de evolução ao princípio. A volta ao útero divino para beber do líquido da criação e de lá sair, se aventurar para um dia voltar e de novo sair qual criança a nada saber e só então evoluir pela ausência de qualquer força além do amor que dá vida para novamente começar o ciclo da evolução e da aprendizagem do indizível. Deus... Amor... Paz... Espírito... Terra... Evolução... Gota... Boca... Nariz... Olhos... Ouvidos... Mãos... Pés... Corpo... Carne... Vida...

PERSONALIDADE - A origem e o destino

Outro dia, conversando com a Jurami das minhas experiências, cheguei à conclusão de que minha origem neste planeta deve ser bem remota. Depois, tentei desenhar minha possível aparência na minha chegada aqui. Imaginei que sairia um “Neandertal” ou algo similar, mas saiu um esboço que eu tentei aperfeiçoar neste desenho acima. Depois comento mais a respeito desta experiência, mas talvez esta seja a aparência de algum povo exilado aqui na terra.

MANDALA - Novo caminho

Fiz uma série de esboços de mandalas com o tema “novo caminho”, para o começo do meu entendimento de personalidades múltiplas dentro do ser.  Esta foi a última delas, já colorida.

PERSONALIDADE - Egípcia

Em Bruxelas, ano passado, entrei em contato com a memória de uma ajudante de templo no Egito antigo. Eis um pouco de como eu me lembro do rosto dela. Mais tarde comento sobre esta experiência.

MANDALA - Somos todos um dentro de um


Mandala das (minhas) vidas.
A Jurami sugeriu que eu tentasse fazer algumas mandalas para ajudar como meditação e no processo interno de integração e autoconhecimento. Adorei. Esta é um esboço de uma delas, que representa o princípio masculino e feminino dentro do ser. Em sua volta há algumas personagens de vidas passadas que eu já tive a oportunidade de conhecer.

O texto dentro da mandala:
O feminino e o masculino dentro do ser formando uma unidade que se completa para a evolução do homem em si. Somos todos um dentro de um. O ancião do templo no deserto, alguém que não conheço, o velho alienado, o deus asteca, a cigana, a caveira que todos viam, o soldado romano, como vim e como vou, a sacerdotisa e a bruxa gorda e manca que vivia só na floresta, a mãe, a bruxa, a meretriz, a freira...

MANDALA - Bruna

Minha filha, Bruna(6 anos), viu minhas mandalas e pediu para que eu fizesse uma para ela. Fiz esta inspirada nela e realmente ficou muito melhor que todas as outras inspiradas em mim mesma.

domingo, 27 de março de 2011

PERSONALIDADES MÚLTIPLAS - Comentários técnicos


Grande parte da teoria sobre a qual me baseio, inclusive na nomenclatura usada em meus comentários técnicos, é retirada dos ensinamentos de J. S. Godinho (Holus Editora).

 Todas as nossas vidas, passadas em diferentes épocas, corpos e personalidades, pelo processo de reencarnação, são partes constituintes da nossa consciência atual e são chamadas de “personalidades múltiplas”. Algumas destas personalidades entendem que são consciências de vidas passadas, constituintes do atual bloco consciencial e que não possuem mais um corpo físico, ao passo que outras sequer sabem o que fazem ligadas à nós, isso, quando têm a felicidade de nos perceber a presença. Estas personalidades podem ajudar (personalidade múltipla associada) ou atrapalhar (personalidade múltipla dissociada) nossa atual caminhada, dependendo do seu grau de evolução e conhecimento, fixados provavelmente no momento da morte física.
As teorias psicológicas sobre traumas enunciam que um fato pode trazer à memória o evento traumático vivido anteriormente, quando afetos relacionados a este emergem acompanhados da sintomatologia associada, revivendo seus efeitos vividamente, como numa tentativa de elaborar e resolver o impasse pretérito. Assim também ocorre com as nossas personalidades múltiplas, todas carregando seus respectivos traumas e conflitos, que também podem ser despertados, trazendo-as a tona com suas características e padrões vibracionais para tentar tomar conta e liderar o bloco consciencial conforme lhe seja mais desejoso, mesmo não o sendo para a atual personalidade.

Dores e cabeça
Segundo J. S. Godinho, a dor de cabeça é um dos sintomas apresentados quando uma personalidade múltipla está tentando vir à tona e tomar à frente da atual existência. No caso da “caveira que virou soldado romano”, houve um episódio de dor de cabeça após a retirada do capacete de soldado romano. Se, como mostrou minha intuição, o capacete escondia uma memória proibida, a retirada deste traria a tona tal memória acompanhada da sua respectiva personalidade, o que se mostra de forma clara no caso do “soldado romano que virou bruxa” (caso seguinte).

Vertigens e dores na nuca
Ao que se sabe, as personalidades múltiplas se ligam a nós por cordões que saem da região da nuca e são mais facilmente acessadas quando há um afrouxamento ou desdobramento dos corpos que constituem o agregado humano (corpos físico, etérico, astral, mental inferior,mental superior, búdico e crístico – entre outras variações de nomenclaturas). Levando-se em conta isto e que traumas são ativados quando um evento qualquer traz a rememoração deste, podemos analisar o caso da “caveira que virou soldado romano” num outro tópico em que havia vertigens antecedendo os encontros com a terapeuta. Na próxima história (“o soldado romano que virou bruxa”), veremos que Mila, a terapeuta, era um antigo desafeto da bruxa, “acordada” de seu sono secular pelo reencontro. Daí as vertigens, oriundas do desdobramento de corpos e da pressão na nuca que o afastamento da personalidade do bloco consciencial provoca. Aqui não mais temos a dor de cabeça, já que a personalidade, a meu ver, já rompeu o invólucro que a mantinha presa. Acompanhando estes sintomas físicos, há também os sintomas comportamentais e emocionais, traduzidos no incomodo e medo que eu sentia diante de Mila, mesmo não tendo nenhum motivo real para tanto. Cheguei inclusive a procurar os seus serviços para “tirar a prova” do meu incômodo.

Caveiras, sentinelas da luz
Robson Pinheiro (em “Legião”, pelo espírito de Ângelo Inácio) cita que os cemitérios na dimensão umbralina são guardados por sentinelas, espíritos de luz, que se apresentam na forma de caveiras. Parece que é comum que estas sentinelas sejam confundidas com obsessores em centros espíritas e que, quando levam algum prisioneiro para ser encaminhado, não raro são doutrinadas enquanto o prisioneiro é tido como vítima e solto. Penso que eu e Mila repetimos esta história mais uma vez no caso da “caveira que virou soldado romano”, só que fora do centro espírita.

A caveira como personalidade múltipla
Mas, diferente das sentinelas que vão ao centro espírita, acredito eu, que a minha caveira era uma parte minha, uma personalidade múltipla associada que me protegia de alguma forma que ainda não sou capaz de entender completamente. Penso assim, baseada nas sensações positivas que tive a respeito dela durante toda a sessão de regressão. Porque ela tinha esta aparência? Não sei. Por enquanto, só posso supor e suponho que talvez eu tenha mesmo ficado presa num esqueleto por tempo o suficiente para perder a forma física humana e/ou renunciar a ela, preferindo esta. Ou posso também ter estagiado como sentinela em cemitérios. Quem sabe?
É interessante que, no livro do homem que ficou preso ao esqueleto, ele era um ser que vivia e trabalhava nas trevas, mas a serviço da luz (não de luz), dando respaldo e segurança quando lhe fosse solicitado. Ou seja, nos dois casos que tenho acesso, as caveiras são seres do bem, não que o contrário não seja possível. E de alguma forma são destemidos, pois trabalham para a segurança de outros. E como já observou a Jurami, minha terapeuta, os ossos são a parte mais resistente do corpo e, sem a carne não há dor e nem morte, então, não há o que temer. Faz muito sentido isso para mim.
Me lembro do Godinho incentivando seus ouvintes a montarem seus grupos apométricos e captação psíquica, dizendo: “Não há o que temer, pois o pior que pode acontecer, se tudo der errado, é vocês morrerem!” Do jeito meio debochado e engraçado dele, a mensagem é como a da caveira... se houver morte, vem o alívio e não se morre mais (pelo menos, não tão cedo)!

A caveira e o velho
Ao que eu entendi, esta personalidade cadavérica devia estar comigo desde a antiga Roma, ou antes, desde a época em que eu fora a bruxa queimada pela aldeia (no caso do “soldado romano que virou bruxa”). Não tenho como ter certeza. De qualquer forma, ela devia mesmo estar comigo há muitos anos, pois quando eu me perguntava, durante a regressão, desde quando a caveira estava comigo, me vinha imagem de mim como bebê, engatinhando e, ao meu lado o velhinho no qual ela se transformou na sessão.
Este velhinho me parecia qual um Dom Quixote vencido pela insanidade, mas algo mais baixo e rendido à depressão, já sem fantasias a animá-lo. Eu já o havia visto meses antes numa outra regressão em que ele vagava por cidades com muros e casas feitas de pedras. Lá, ele usava uma túnica escurecida pela sujeira, levava um arremedo de cajado na mão e acreditava ser um profeta ou algo assim. Mas a verdade é que era vítima de sérios disturbios mentais. Morreu só sob uma árvore, perto de um muro de pedras, sem ser notado por ninguém.
Para mim faz sentido que o velhinho tenha vindo após a bruxa, afinal, se ela não fazia bom uso dos seus conhecimentos, é natural que num programa reencarnatório posterior lhe fossem tiradas as memórias iniciáticas para que ela pudesse evoluir de outra forma, a exemplo do que se faz com magos negros em sessões apométricas.

Eu, caveira
Num dado momento da regressão, o soldado romano (ex-caveira e ex-velhinho) diz que eu o deixei em vidas anteriores. Se estes personagens todos forem mesmo minhas antigas versões, faz sentido a sua resposta e a falta de entendimento entre minhas perguntas e suas explicações. Imagine que eu estava inquirindo, como se fosse o meu algoz, a mim mesma em outra roupagem. Talvez por isso o desespero que pude verificar nele, o que parece muito próximo de situações similares que já vivi.
Talvez venha da caveira a minha quase que total falta de medo e de sentimentos negativos quanto à idéia da morte, chegando mesmo a me sentir culpada por não apresentar a mesma dor das outras pessoas em casos de perda próxima.

Roma
Na semana que se seguiu, assisti na TV um documentário sobre as invasões bárbaras na Roma Antiga e não sabia ou não lembrava destas invasões em época tão antiga, pois achava que eram mais recentes. E ao que o documentário descrevia, Roma era invadida de surpresa com exércitos desalinhados e sem uniforme, pegando os soldados de surpresa pela barbaridade que apresentavam.  

Garganta cortada X nódulo de tireóide
Vale comentar que no mês seguinte a esta regressão, descobri num exame de rotina que uma de minhas tireóides estava aumentada e apresentando dois nódulos, além da suspeita de um hipotireoidismo encoberto, o que me explicava diversos sintomas que eu sentia há alguns anos. Vejam como uma terapia regressiva (ou de vidas passadas) pode, mesmo sem resolver o assunto na hora, abir caminho para a sua solução. Um ano e meio depois, não tenho mais os dois nódulos, todas as funções de minha tireóide estão normalizadas, assim como o seu tamanho.

sábado, 26 de março de 2011

PERSONALIDADES MÚLTIPLAS - A caveira que virou soldado romano


De todas as regressões pelas quais passei, algumas são significativas por encadearem uma história que me deixou bem perturbada e por explicarem, com o seu roteiro revelado com o passar dos anos, alguns fenômenos da teoria de personalidades múltiplas baseada em vidas passadas, ainda pouco conhecida.

A visão da caveira
Tudo começa há muitos anos, numa época em que eu leio tarô, estudo quiromancia e aprendo numerologia. Nesta época, faço um curso onde aprendo a visualizar com jogo de luzes, personalidades de vidas passadas. Por ser uma técnica fácil, ensino-a sempre, me submetendo a ser vista pelos interessados. Fato interessante foi que todos vêem e mim sempre a mesma coisa: uma caveira. Não acho quem me explique isso até que leio um livro, do qual não me recordo o nome, em que um homem fica preso ao seu esqueleto após a morte, acreditando ainda estar vivo, passando a apresentar a forma espiritual de uma caveira. Acredito que é este o meu caso e me dou por contente.

A caça à caveira
Anos depois, vou a sessões semanais de regressão e começo a apresentar vertigens sempre que me aproximo do consultório, sem saber o porquê. Até que numa determinada oportunidade, comento sobre a visão recorrente da caveira e a terapeuta, que chamaremos aqui de Mila, resolve investigar para me “salvar” dela que é, com certeza, um ser trevoso a me obsedar.
Visualizo uma caveira de capa, túnica e capuz pretos e percebo que ela está comigo há tempos, pelo menos desde o meu nascimento, parecendo ser uma figura boa e familiar que me ajuda e protege. Mas Mila, nada ingênua como eu, dá o comando para que ela tome a sua forma humana e vejo então um velhinho de barba e cabelos brancos, roupa troncha, olhar perdido, pequeno e magro. À pedidos, tiro de mim vários objetos colocados por ele no meu corpo: uma capa vermelha, um colete de metal, uma saia curta, além de objetos menores. Quando acabo a tarefa e volto minha atenção ao velho, percebo que ele está vestido como a um soldado romano. Ou seja, quem estava vestida de soldado romano até então, era eu.

Morte na batalha romana
Volto para um tempo anterior, onde nossas histórias se entrelaçam e chego à Roma antiga no corpo de um soldado jovem que corre e grita num campo de batalha ao lado de outros iguais, levando à mão algo que parece ser uma espada. Defendemos uma cidade, talvez Roma. Os guerreiros que vêm ao nosso encontro são muitos, têm suas peles pintadas e não usam uniformes, mas peles, parecendo carniceiros. Pressinto que algo está para acontecer e tenho medo. Sem que eu possa entender como, de onde ou por quem, um machado corta minha garganta, eu caio e tudo fica turvo e mudo à minha volta. Morro e o alívio vem. Levanto, olho meu corpo em meio a outros e me preocupo com algo... é minha família: mulher e filha deixadas num casebre. Vou vê-las. A mulher chora minha perda, enquanto a filha sente apenas pela tristeza da mãe, não por mim... devo ser um pai ausente. Pressinto que ficarão bem e logo aparecerá outro marido à jovem mulher.
Procuro sem sucesso o tal homem que virá a ser a caveira. Apenas entendo que é também um soldado romano como eu, próximo, talvez amigo. Mila adivinha ser ele o meu assassino.
Volto para a hora e local de minha morte e pergunto a este soldado, meu suposto assassino, o motivo de suas ações. Ele tenta me dizer algo, explicar... não há raiva nele, apenas o desespero de ser acusado. E eu me vejo incapaz de captar a totalidade de sua mensagem, apenas sinto seu choro e entendo que eu o deixei em vidas anteriores. Sinto carinho por ele e o abraço a contragosto da terapeuta. Ela pede que ele tire de mim o que ainda falta, mas me parece que não falta mais nada. À pedido, volto minha atenção para a sua cabeça e vejo nela uma taça sem a base, feita em ouro envelhecido e sendo usada como capacete... é o capacete de um soldado romano. Tenho a impressão que ela acabou de colocá-lo e é isso mesmo, ela está lá apenas para que eu consiga vê-la. Pergunto ao meu suposto algoz o motivo do capacete e, neste exato momento, sinto uma forte dor de cabeça. Entendo imediatamente que a função do capacete é abafar uma memória proibida, ainda sem acesso. Seguindo novamente a comandos, o soldado/velhinho/caveira é colocado para dormir e encaminhado para tratamento. A sessão se encerra.

domingo, 13 de março de 2011

VIAGENS NO TEMPO

Uma noite dessas tive sono bem pesado, daqueles que recompensam não um, mas vários dias de cansaço. E pela manhã, quando o despertador tocou, eu acabava de sair de um sonho bem interessante. Nele havia um portal de alta tecnologia que podia fazer a travessia de pessoas no espaço e no tempo.
Acordei e fiquei refletindo sobre o assunto. Seria magnífico poder ir e voltar no tempo em qualquer lugar para resolver assuntos pendentes. Isso sem falar na economia de tempo! Foi então que percebi que de alguma forma isso já acontecia comigo e com meus pacientes. Eu já havia aprendido a fazer isso apenas com o esforço da minha mente. Bastava me concentrar e pronto, lá estava eu em qualquer lugar do tempo e do espaço que eu quisesse sem precisar do portal, de forma fácil e natural. É na regressão que viajamos no tempo e no espaço apenas com o poder da mente, usando nossos arquivos de memória e sentindo (literalmente) como se estivéssemos lá, vivendo aquela história que brota do inconsciente aos jorros de sensações e emoções.
Este sonho parece que fazia jus ao nome que eu pretendia dar a este blog: “Viagens no tempo sobre o divã”. Mas acabei resolvendo por algo mais prosaico: “Diário da Zana”. Zana é meu apelido desde a infância e pretendo escrever sobre minhas experiências (trans) pessoais, sem excluir algumas mais significativas de meus pacientes e amigos ou até, quem sabe, reflexões teóricas sobre algum tema de interesse. Por enquanto vai ser isso.
É claro que para escrever sobre eu mesma precisei de um tanto de coragem, mas acredito que valha a pena, pois é parte da história do meu autoconhecimento (ou autodescoberta), uma viagem que talvez seja a mais fantástica que alguém possa fazer, mesmo de forma tão simplória quanto esta minha, que começou com um tratamento psicanalítico de anos e agora se estende pela linha transpessoal, se é que este é o nome mais adequado para o que pretendo descrever.
Grande parte das experiências descritas são fruto de regressões e percepções sutis, por isso, vale a pena comentar sobre o que eu acredito que sejam. Sou espiritualista e creio na eternidade da vida espiritual e na multiplicidade das vidas na terra, a que chamamos de reencarnação. De forma miúda, penso que todos nós já tivemos várias vidas e esta é apenas uma delas.
No trabalho terapêutico de regressão, podemos voltar nossa memória para tempos passados, nesta ou em outra vida, para resolvermos assuntos pendentes. Isso não significa em absoluto, ao menos para mim, que toda experiência de regressão com percepções fora da vida atual seja em si uma lembrança real de uma vida passada. Talvez algumas, talvez uma boa parte, mas não todas. Mas então, o que seriam estas percepções? Eu realmente não tenho esta resposta exata, também não sei quem a tenha em sua totalidade. Na grande maioria dos livros sobre o assunto, o que é defendido é que as percepções que brotam são sim vivências passadas em corpos e lugares diferentes. Talvez. Mas também é provável que algumas destas histórias que brotam durante a regressão sejam construções fantasiosas do inconsciente, que dá nome, cenário e personagens para assuntos não resolvidos, numa espécie de elaboração simbólica. Outras hipóteses: um acesso ao inconsciente coletivo; acesso à memória arcaica de alguém conhecido; acesso à nossa memória filogenética, trazendo vivências de um ancestral pelo qual nos ligamos transgeracionalmente; uma mistura de várias vidas passadas diferentes, dando um sentido único a elas e por último uma mistura de todos estes processos em graus variados. Quem é que sabe? Não me arrisco a afirmar, mas apenas a observar e relatar por enquanto.
Quando eu voltar para casa, do lado de lá, talvez eu encontre mais respostas sobre o assunto, e ai, quem sabe eu possa até arrumar uma forma de contar a vocês o que eu descobri. Mas se antes disso tiver mais alguma pista, escrever aqui, ok?
Espero que aproveitem este meu diário.