sábado, 26 de março de 2011

PERSONALIDADES MÚLTIPLAS - A caveira que virou soldado romano


De todas as regressões pelas quais passei, algumas são significativas por encadearem uma história que me deixou bem perturbada e por explicarem, com o seu roteiro revelado com o passar dos anos, alguns fenômenos da teoria de personalidades múltiplas baseada em vidas passadas, ainda pouco conhecida.

A visão da caveira
Tudo começa há muitos anos, numa época em que eu leio tarô, estudo quiromancia e aprendo numerologia. Nesta época, faço um curso onde aprendo a visualizar com jogo de luzes, personalidades de vidas passadas. Por ser uma técnica fácil, ensino-a sempre, me submetendo a ser vista pelos interessados. Fato interessante foi que todos vêem e mim sempre a mesma coisa: uma caveira. Não acho quem me explique isso até que leio um livro, do qual não me recordo o nome, em que um homem fica preso ao seu esqueleto após a morte, acreditando ainda estar vivo, passando a apresentar a forma espiritual de uma caveira. Acredito que é este o meu caso e me dou por contente.

A caça à caveira
Anos depois, vou a sessões semanais de regressão e começo a apresentar vertigens sempre que me aproximo do consultório, sem saber o porquê. Até que numa determinada oportunidade, comento sobre a visão recorrente da caveira e a terapeuta, que chamaremos aqui de Mila, resolve investigar para me “salvar” dela que é, com certeza, um ser trevoso a me obsedar.
Visualizo uma caveira de capa, túnica e capuz pretos e percebo que ela está comigo há tempos, pelo menos desde o meu nascimento, parecendo ser uma figura boa e familiar que me ajuda e protege. Mas Mila, nada ingênua como eu, dá o comando para que ela tome a sua forma humana e vejo então um velhinho de barba e cabelos brancos, roupa troncha, olhar perdido, pequeno e magro. À pedidos, tiro de mim vários objetos colocados por ele no meu corpo: uma capa vermelha, um colete de metal, uma saia curta, além de objetos menores. Quando acabo a tarefa e volto minha atenção ao velho, percebo que ele está vestido como a um soldado romano. Ou seja, quem estava vestida de soldado romano até então, era eu.

Morte na batalha romana
Volto para um tempo anterior, onde nossas histórias se entrelaçam e chego à Roma antiga no corpo de um soldado jovem que corre e grita num campo de batalha ao lado de outros iguais, levando à mão algo que parece ser uma espada. Defendemos uma cidade, talvez Roma. Os guerreiros que vêm ao nosso encontro são muitos, têm suas peles pintadas e não usam uniformes, mas peles, parecendo carniceiros. Pressinto que algo está para acontecer e tenho medo. Sem que eu possa entender como, de onde ou por quem, um machado corta minha garganta, eu caio e tudo fica turvo e mudo à minha volta. Morro e o alívio vem. Levanto, olho meu corpo em meio a outros e me preocupo com algo... é minha família: mulher e filha deixadas num casebre. Vou vê-las. A mulher chora minha perda, enquanto a filha sente apenas pela tristeza da mãe, não por mim... devo ser um pai ausente. Pressinto que ficarão bem e logo aparecerá outro marido à jovem mulher.
Procuro sem sucesso o tal homem que virá a ser a caveira. Apenas entendo que é também um soldado romano como eu, próximo, talvez amigo. Mila adivinha ser ele o meu assassino.
Volto para a hora e local de minha morte e pergunto a este soldado, meu suposto assassino, o motivo de suas ações. Ele tenta me dizer algo, explicar... não há raiva nele, apenas o desespero de ser acusado. E eu me vejo incapaz de captar a totalidade de sua mensagem, apenas sinto seu choro e entendo que eu o deixei em vidas anteriores. Sinto carinho por ele e o abraço a contragosto da terapeuta. Ela pede que ele tire de mim o que ainda falta, mas me parece que não falta mais nada. À pedido, volto minha atenção para a sua cabeça e vejo nela uma taça sem a base, feita em ouro envelhecido e sendo usada como capacete... é o capacete de um soldado romano. Tenho a impressão que ela acabou de colocá-lo e é isso mesmo, ela está lá apenas para que eu consiga vê-la. Pergunto ao meu suposto algoz o motivo do capacete e, neste exato momento, sinto uma forte dor de cabeça. Entendo imediatamente que a função do capacete é abafar uma memória proibida, ainda sem acesso. Seguindo novamente a comandos, o soldado/velhinho/caveira é colocado para dormir e encaminhado para tratamento. A sessão se encerra.

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