Uma noite dessas tive sono bem pesado, daqueles que recompensam não um, mas vários dias de cansaço. E pela manhã, quando o despertador tocou, eu acabava de sair de um sonho bem interessante. Nele havia um portal de alta tecnologia que podia fazer a travessia de pessoas no espaço e no tempo.
Acordei e fiquei refletindo sobre o assunto. Seria magnífico poder ir e voltar no tempo em qualquer lugar para resolver assuntos pendentes. Isso sem falar na economia de tempo! Foi então que percebi que de alguma forma isso já acontecia comigo e com meus pacientes. Eu já havia aprendido a fazer isso apenas com o esforço da minha mente. Bastava me concentrar e pronto, lá estava eu em qualquer lugar do tempo e do espaço que eu quisesse sem precisar do portal, de forma fácil e natural. É na regressão que viajamos no tempo e no espaço apenas com o poder da mente, usando nossos arquivos de memória e sentindo (literalmente) como se estivéssemos lá, vivendo aquela história que brota do inconsciente aos jorros de sensações e emoções.
Este sonho parece que fazia jus ao nome que eu pretendia dar a este blog: “Viagens no tempo sobre o divã”. Mas acabei resolvendo por algo mais prosaico: “Diário da Zana”. Zana é meu apelido desde a infância e pretendo escrever sobre minhas experiências (trans) pessoais, sem excluir algumas mais significativas de meus pacientes e amigos ou até, quem sabe, reflexões teóricas sobre algum tema de interesse. Por enquanto vai ser isso.
É claro que para escrever sobre eu mesma precisei de um tanto de coragem, mas acredito que valha a pena, pois é parte da história do meu autoconhecimento (ou autodescoberta), uma viagem que talvez seja a mais fantástica que alguém possa fazer, mesmo de forma tão simplória quanto esta minha, que começou com um tratamento psicanalítico de anos e agora se estende pela linha transpessoal, se é que este é o nome mais adequado para o que pretendo descrever.
Grande parte das experiências descritas são fruto de regressões e percepções sutis, por isso, vale a pena comentar sobre o que eu acredito que sejam. Sou espiritualista e creio na eternidade da vida espiritual e na multiplicidade das vidas na terra, a que chamamos de reencarnação. De forma miúda, penso que todos nós já tivemos várias vidas e esta é apenas uma delas.
No trabalho terapêutico de regressão, podemos voltar nossa memória para tempos passados, nesta ou em outra vida, para resolvermos assuntos pendentes. Isso não significa em absoluto, ao menos para mim, que toda experiência de regressão com percepções fora da vida atual seja em si uma lembrança real de uma vida passada. Talvez algumas, talvez uma boa parte, mas não todas. Mas então, o que seriam estas percepções? Eu realmente não tenho esta resposta exata, também não sei quem a tenha em sua totalidade. Na grande maioria dos livros sobre o assunto, o que é defendido é que as percepções que brotam são sim vivências passadas em corpos e lugares diferentes. Talvez. Mas também é provável que algumas destas histórias que brotam durante a regressão sejam construções fantasiosas do inconsciente, que dá nome, cenário e personagens para assuntos não resolvidos, numa espécie de elaboração simbólica. Outras hipóteses: um acesso ao inconsciente coletivo; acesso à memória arcaica de alguém conhecido; acesso à nossa memória filogenética, trazendo vivências de um ancestral pelo qual nos ligamos transgeracionalmente; uma mistura de várias vidas passadas diferentes, dando um sentido único a elas e por último uma mistura de todos estes processos em graus variados. Quem é que sabe? Não me arrisco a afirmar, mas apenas a observar e relatar por enquanto.
Quando eu voltar para casa, do lado de lá, talvez eu encontre mais respostas sobre o assunto, e ai, quem sabe eu possa até arrumar uma forma de contar a vocês o que eu descobri. Mas se antes disso tiver mais alguma pista, escrever aqui, ok?
Espero que aproveitem este meu diário.
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